Medicamento pode retardar o esvaziamento do estômago; paciente deve informar o uso ao cirurgião e ao anestesista antes do procedimento
Com a popularização da tirzepatida no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle do peso, um cuidado importante precisa entrar na rotina de quem utiliza o medicamento: avisar à equipe médica sobre o uso antes de realizar uma cirurgia ou procedimento com anestesia geral ou sedação profunda.
O alerta ocorre porque a tirzepatida pode retardar o esvaziamento gástrico. Isso significa que o estômago pode levar mais tempo para ficar vazio, uma informação relevante para o planejamento da anestesia e para a segurança do paciente.
Segundo a Dra. Tatiana Jaber, médica pós-graduada em Nutrologia do Esporte e fundadora e CEO da Sorovitta, o crescimento do uso desses medicamentos torna ainda mais importante falar sobre os cuidados que vão além do tratamento para perda de peso.
“É muito comum o paciente informar ao médico que usa medicamentos para pressão, diabetes ou outras doenças e esquecer de mencionar a medicação utilizada para emagrecimento. A tirzepatida também precisa fazer parte dessa conversa. Antes de uma cirurgia, o cirurgião e o anestesista precisam saber que o paciente utiliza o medicamento, qual a dose e quando foi realizada a última aplicação”, explica Dra. Tatiana Jaber.
Precisa suspender a tirzepatida antes da cirurgia?
Não existe uma orientação única que sirva para todos os pacientes. A decisão sobre manter ou interromper o medicamento antes de uma cirurgia deve ser tomada pela equipe médica de forma individualizada.
Entre os pontos que podem ser avaliados estão a dose utilizada, há quanto tempo o paciente faz o tratamento, se está na fase de aumento da dose e se apresenta sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, constipação, dor abdominal ou sensação persistente de estômago cheio.
“O paciente não deve simplesmente suspender a medicação por conta própria porque tem uma cirurgia marcada. Da mesma forma, não deve deixar de informar que está fazendo o tratamento. A conduta precisa ser definida pelos profissionais responsáveis, levando em consideração o quadro clínico e o procedimento que será realizado”, ressalta a médica.
A atenção deve ser ainda maior entre pacientes que começaram recentemente o tratamento, estão aumentando a dose ou apresentam sintomas gastrointestinais.
“Quando falamos de medicamentos que interferem no esvaziamento do estômago, essa informação passa a ter importância também para o anestesista. O objetivo não é assustar quem faz uso da tirzepatida, mas reforçar que a comunicação entre paciente e equipe médica faz parte da segurança do procedimento”, afirma Dra. Tatiana.
O que o paciente deve informar antes da cirurgia?
Quem utiliza tirzepatida deve contar à equipe médica:
- qual medicamento está utilizando;
- qual é a dose atual;
- quando realizou a última aplicação;
- há quanto tempo faz o tratamento;
- se está aumentando a dose;
- se apresenta náuseas, vômitos, constipação, dor abdominal ou sensação de estômago cheio.
O cuidado não vale apenas para grandes cirurgias. Procedimentos que envolvam anestesia geral ou sedação profunda também exigem atenção.
“A principal orientação é simples: vai fazer uma cirurgia ou um procedimento com anestesia? Avise que usa tirzepatida. Não esconda a informação e não altere o tratamento por conta própria. A equipe médica é quem deve avaliar a conduta mais adequada para cada caso”, conclui Dra. Tatiana Jaber.
Fonte para entrevistas:
Dra. Tatiana Jaber — médica pós-graduada em Nutrologia do Esporte, fundadora e CEO da Sorovitta.





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