Educação que transforma: mães paranaenses provam que nunca é tarde para aprender - Cantu em Foco - As principais notícias da região, você encontra aqui no Cantu em Foco

URGENTE

Educação que transforma: mães paranaenses provam que nunca é tarde para aprender

 


No Dia das Mães, comemorado neste domingo, 10 de maio, a Secretaria da Educação do Paraná (Seed-PR) destaca a história de duas mulheres que superaram desafios pela educação dos filhos e delas mesmas, e mostram como o aprendizado pode transformar vidas e inspirar famílias inteiras. De um lado, o recomeço dentro da sala de aula, de outro, o apoio incondicional que atravessa fronteiras. Em comum, o protagonismo de mães que encontraram na educação um caminho de crescimento, coragem e novas oportunidades.


A história de Glicia Mara Moreira revela um olhar alternativo para a educação: filhos que inspiram mães a voltar a estudar. Aos 40 anos, diarista, Glicia retomou os estudos após começar a acompanhar o filho João Lucas Aparecido Moreira, de 15 anos, no Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) de Londrina.



Com uma defasagem de três anos nos estudos, foi no Ceebja que ele conseguiu se adaptar. “Foi onde ele se encontrou. Hoje ele não quer sair de lá, quer ir até o final”, conta a mãe. Ao perceber a evolução do filho, Glicia decidiu fazer o mesmo movimento. “A sociedade pede muito que a gente termine os estudos. E eu também quero fazer um curso de cuidadora de idosos. Então vi que precisava voltar”, explica.


Ela conta que a decisão também foi motivada pelo exemplo dentro de casa. “Meu filho me incentivou muito. Ele fala: ‘mãe, tem que terminar’. E isso dá força pra gente continuar.”


Glicia havia interrompido os estudos ainda jovem, na 7ª série do Ensino Fundamental, para trabalhar e ajudar a família. Hoje, conciliando a rotina como diarista, encontrou na Educação de Jovens e Adultos (EJA) uma nova oportunidade, retomada em março deste ano. Atualmente, cursa a etapa equivalente aos anos finais do Ensino Fundamental e deve concluir os estudos em cerca de dois anos.



A rotina de mãe e estudante é dividida entre os encontros presenciais e o ensino remoto. Enquanto o filho frequenta as aulas no Ceebja de segunda a sexta-feira, Glicia participa das atividades presenciais às terças-feiras e complementa os estudos por meio de plataforma online nos demais dias. “Está sendo muito bom voltar para a sala de aula, conhecer pessoas, aprender. A gente aprende muito, mesmo.”


Mesmo com a rotina corrida, os dois mantêm o vínculo com os estudos também em casa, compartilhando a experiência e incentivando um ao outro no dia a dia. E o impacto já é sentido dentro da própria família. “A gente inspira eles, e eles inspiram a gente”, resume.


Para outras mães que ainda têm dúvidas, ela é direta: “Vale a pena sim. A gente tem que voltar o mais rápido possível. Hoje tem mais oportunidades. E uma frase que me marcou muito foi: o mundo pode tirar tudo de você, menos os estudos.”


APOIO ALÉM DAS FRONTEIRAS – Tatiane Cristina Sachs de Meira, professora da rede municipal de Telêmaco Borba, viveu em 2022 uma mistura intensa de sentimentos ao descobrir que a filha cadeirante, Thayse Sachs de Meira, hoje com 18 anos, havia sido selecionada para o programa Ganhando o Mundo, de intercâmbio internacional para alunos da rede estadual.


“Senti uma mistura muito grande de emoções. Fiquei extremamente orgulhosa, mas também com medo e insegurança por saber que ela estaria longe, em outro país, com uma cultura diferente. Mas acima de tudo, senti gratidão pela oportunidade”, conta.


A decisão de acompanhar a filha exigiu renúncias. Tatiane deixou rotina, casa, trabalho e estabilidade no Brasil, para estar ao lado da jovem no início da experiência internacional, em Auckland, na Nova Zelândia. “Não foi uma decisão fácil, porque envolve sair da zona de conforto. Mas, como mãe, senti que naquele momento ela precisava de mim por perto”, afirma.



Apesar dos desafios, ela garante que tudo valeu a pena. “Essa experiência proporcionou um crescimento que vai muito além do estudo. Ela amadureceu, ganhou independência e aprendeu a se adaptar. É algo que vai levar para a vida inteira”, diz. A vivência também transformou a própria mãe. “Foi um período de muito aprendizado e crescimento pessoal. Como mãe, significou força, confiança e entender que é importante permitir que os filhos vivam suas próprias experiências”.


O impacto foi tão positivo que, pouco tempo depois, Tatiane enfrentou um novo desafio, que foi permitir que o filho mais novo, Matheus Sachs de Meira, de 16 anos, também participasse do programa, desta vez, sozinho. “Ainda dá aquele aperto no coração, a preocupação nunca deixa de existir. Mas a experiência que tive com minha filha me trouxe mais segurança. Eu já conhecia o funcionamento, o suporte e o quanto essa vivência é transformadora. Foi como trocar um pouco do medo pela certeza de que ele também estaria vivendo algo incrível.”


Para Roni Miranda, secretário estadual da Educação, as histórias de Glícia e Tatiane mostram que a educação não tem idade e que o aprendizado pode começar ou recomeçar a qualquer momento. “Essas mães representam força, dedicação e o compromisso com um futuro melhor para seus filhos e para elas mesmas”, destaca. 

EJA E PROTAGONISMO FEMININO – As mulheres são maioria entre os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Paraná e lideram as matrículas em todas as etapas de ensino. Ao todo, o Estado soma mais de 12,2 mil matrículas na modalidade, distribuídas em 109 escolas e 508 turmas.


A EJA atende pessoas de 15 a 99 anos, com oferta gratuita na rede estadual, turmas no período noturno e organização flexível, permitindo conciliar estudo, trabalho e cuidados com a família. As matrículas podem ser feitas diretamente nas escolas, mediante apresentação de documentos pessoais e histórico escolar (quando houver).


GANHANDO O MUNDO – O programa de intercâmbio do Governo do Estado oferece a estudantes da rede pública estadual a oportunidade de cursar um período letivo no exterior, com todas as despesas custeadas. A iniciativa busca ampliar o repertório acadêmico e cultural, além de estimular a autonomia e o desenvolvimento pessoal dos participantes.


Na edição mais recente, com embarques previstos para 2027, foram ofertadas cerca de 1,2 mil vagas para países como Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido. Os estudantes selecionados têm direito a passagens, hospedagem, documentação, materiais e auxílio mensal durante o intercâmbio.


O programa é destinado a alunos da rede estadual e se consolidou como o maior intercâmbio estudantil em redes públicas do país, proporcionando experiências internacionais que impactam não apenas a trajetória acadêmica dos jovens, mas também suas famílias e comunidades escolares.


Foto: Ceebja Londrina

AEN