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sábado, 13 de março de 2021

"Quem é o grupo de risco hoje? Todos nós", alerta diretor do Complexo do Trabalhador

 




Com 74 anos de história, o Complexo Hospitalar do Trabalhador (CHT) não vive sua primeira epidemia. Na verdade, a instituição se tornou referência no Paraná no combate à Covid-19 justamente por sua experiência prévia em outras batalhas – como contra a tuberculose, a Aids e o H1N1, todas doenças que marcaram a trajetória da instituição.

Um ano depois da chegada do novo cronavírus no Estado, o CHT já atendeu mais de 5 mil pacientes com suspeita da doença. Com 82 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 85 leitos de isolamento respiratório exclusivos para a Covid-19, o espaço é um dos maiores centros de tratamento da doença no Paraná. O complexo é composto por três unidades em Curitiba: o Hospital do Trabalhador, o Hospital de Infectologia e Retaguarda Clínica Oswaldo Cruz e o Hospital de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier.

No entanto, as novas cepas do vírus preocupam as equipes médicas, que observam um agravamento na situação atual da pandemia. É o que explica Geci Labres de Souza Júnior, diretor superintendente do CHT. Nesta entrevista, o médico e diretor à frente do complexo relembra como foi o início do combate ao coronavírus, comenta a chegada da vacina no Paraná, quando as primeiras doses foram aplicadas em funcionários do CHT no aniversário da instituição, e faz um alerta para a situação emergencial vivida atualmente.

O CHT é a principal referência de atendimento à Covid-19 na Capital. Quais fatores levaram o complexo a ser considerado referência para uma doença sobre a qual ainda se sabia tão pouco há um ano?

A lembrança do Hospital do Trabalhador (HT) como suporte e assistência à Covid-19 desde o início da pandemia remete a toda sua história. O HT foi criado em 1947 para tratar de pacientes com tuberculose. Na época, o hospital levava o nome de Sanatório Médico Cirúrgico do Portão, e tratava principalmente esta doença e outros males pulmonares, e esse foi seu principal foco durante duas décadas. Já na década de 1990, tratou de pacientes com HIV e AIDS e, mais recentemente, também se tornou referência no tratamento à H1N1.

Por isso, durante toda a sua história, essa instituição sempre esteve voltada às necessidades da sua população, cumprindo seu papel de ser uma instituição pública, pronta a socorrer e atender quem precisa, pois é a sociedade quem financia e sustenta seu funcionamento. E é por causa desse entendimento que nós somos o maior centro de referência de Covid-19 na cidade e um dos mais importantes no Paraná. Não se trata do quanto se conhecia sobre esta nova doença, mas da nossa história pública de sucesso em tratar doenças infecciosas. Temos uma trajetória que ajudou a construir um SUS de sucesso: é só imaginar, nesses 74 anos, quantas vidas foram salvas aqui.

Quando o hospital começou a se preparar a enfrentar a Covid-19? E como foi essa preparação naquele momento?

O primeiro decreto estadual referente à pandemia de Covid-19 foi o de número 4.230 de 16 de março de 2020, que declarou as medidas de enfrentamento da emergência da saúde pública. Depois, no dia 19 de março, foi publicado o Decreto n° 4.298, declarando situação de emergência.

Aqui no CHT recebemos o primeiro paciente com suspeita de Covid-19 em 27 de fevereiro de 2020 – antes, portanto, dos decretos. Fomos nos adaptando à situação na medida em que ela evoluía. Desenhamos, naquele momento, quatro fases de ativação que previam a evolução da demanda de atendimento por Covid-19 ao longo do tempo. Estamos há três semanas na Fase 4, a mais emergencial.

E, com o passar do tempo, em termos de estrutura, como o hospital aumentou sua capacidade de atendimento?

Logo no início da pandemia, ativamos 22 leitos de UTI exclusivos para Covid-19. Hoje, são 82 leitos de UTI e 85 de isolamento respiratório, totalizando 167 leitos exclusivos. Para isso, usamos alas que estariam em reforma ou utilizadas para outras atividades - como as salas para cirurgias eletivas, por exemplo, que foram suspensas. Temos hoje um conjunto de cerca de 400 leitos. Cerca de 40% da atividade do hospital hoje é voltada à Covid-19.

AEN

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