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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Preço do arroz, feijão e óleo vai continuar subindo no Paraná

 


Com a forte demanda da China por alimentos, a consolidação do câmbio no patamar de R$ 5,30 está pressionando os preços dos alimentos para os brasileiros. Isso já faz os economistas revisarem para cima as projeções de inflação do ano e provoca uma queda de braço entre supermercados e fornecedores para tentar frear os repasses, num momento em que o consumo está fraco.

“A minha expectativa era de que a inflação ao consumidor ficasse até abaixo de 2%. Agora estou revendo para 2,3%, estou chegando no piso da meta”, diz o economista André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas.

O economista Fabio Silveira, sócio da MacroSector, que antes projetava inflação do ano em 2,7%, está revendo para 3,3% por causa da alta da comida. Braz observa que os preços dos alimentos no atacado subiram 15,02% em 12 meses até agosto. Os alimentos no varejo no mesmo período aumentaram 8,5%, um pouco mais da metade. “Alimento foi o grupo que mais subiu no varejo.”

Alta dos alimentos

Essa alta vem sendo sentida pelos supermercados que nesta semana enviaram comunicado para Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), denunciando os reajustes de preços de arroz, feijão, leite, carne e óleo de soja.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados, a alta tem sido generalizada e repassada pelas indústrias e fornecedores. “A partir do final de agosto, começamos a perceber uma elevação muito grande nas tabelas, na faixa de 20% para óleo de soja e arroz”, diz o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Ronaldo dos Santos. Ele conta que o setor também procurou o Ministério da Agricultura para tentar retirar tarifas de importação, especialmente do arroz, de 8%. Mas a decisão do ministério, segundo Santos, foi não mexer, por enquanto na alíquota.

Santos diz que no momento não vê risco de desabastecimento e que o setor recorreu ao governo porque não quer ser responsabilizado pelas altas de preços. “Compramos e repassamos.”

Comida vai continuar subindo

Na queda de braço entre supermercados e fornecedores, a Associação Paulista de Supermercados (APAS) disse nesta sexta-feira (4), que tem orientado os associados a comprarem apenas o necessário. “A Apas reitera que tem recomendado aos supermercados associados que continuem negociando com seus fornecedores e comprem somente a quantidade necessária para a reposição”, diz em comunicado.

A instituição afirma ainda que orienta que sejam oferecidos aos consumidores “opções de substituição aos produtos mais impactados por esses aumentos provenientes dos fornecedores de alimentos, que são provenientes de variáveis mercadológicas como maior exportação, câmbio e quebra de produção”.

A entidade ressalta que sua preocupação está em conseguir cumprir com sua missão de abastecer a sociedade, conforme previsto no Decreto Federal 9.127/17, que reconhece a atividade supermercadista como essencial para a população.

A Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) diz também e que, por se tratar de variável concorrencial, os preços não são discutidos no âmbito da associação, mas sim individualmente entre empresas e as cadeias varejistas.

Ainda assim, a entidade cita dados mundiais para dizer que a alta de preços de alimentos básicos é um fenômeno mundial. “Conforme relatório publicado ontem pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Índice de Preços de Alimentos da FAO atingiu a média de 96,1 pontos, revelando que a alta nos custos dos alimentos que compõem a cesta básica é um fenômeno que se constata em todo o mundo”, diz a instituição.

“No Brasil, a desvalorização cambial de mais de 30% pressiona os custos de produção da indústria. É importante ressaltar que o aumento provocado pela alta do dólar não é linear para o setor de alimentos e bebidas, pois atinge de modo diferente cada cadeia de produção”, complementa a Abia.

A instituição diz ainda que não há risco de desabastecimento no mercado interno. “As indústrias de alimentos têm trabalhado, sem parar, desde o início da pandemia para que não falte alimento na mesa do consumidor brasileiro. A alta de preços, infelizmente, tem afetado em maior intensidade a cotação de algumas matérias-primas agrícolas, devido aos movimentos mundiais de oferta e demanda”, conclui.

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