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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Consumidor troca arroz por angu para enxugar gastos


 No carrinho de compras da cuidadora Laurilene de Castro, que foi nessa quinta-feira (10) ao supermercado com o marido Carlos Alberto Moreno, havia apenas um pacote de arroz de 5 quilos. A quantidade, segundo o casal, é insuficiente para alimentar toda a família, incluindo seis filhos e outros quatro parentes. O consumo total costuma alcançar, em média, 25 quilos do produto por mês. “É o que tem. Mesmo assim, esse pacote que estou levando, eu não comprei. Veio na cesta básica que recebemos da prefeitura e é entregue aqui no supermercado. Só vamos comer (arroz) porque tem na cesta”, conta a consumidora.





Na casa de Laurilene, o carro-chefe da refeição típica do brasileiro tem sido substituído por macarrão e até angu. “Por enquanto, estamos mais na base do angu com verdura. Óleo, também reduzimos bastante. Hoje, estamos levando cinco latas. O normal são 10 para o mês”, contou a cuidadora.



Na loja, onde o arroz era vendido pelo preço médio de R$ 22,90, a reportagem encontrou ao menos mais 8 famílias com estratégias semelhantes às de Laurilene e Carlos Alberto para se adaptarem à disparada dos preços dos alimentos. Para driblar os aumentos, o consumidor tem feito verdadeiros malabarismos, que vão da redução das compras dos produtos mais caros à substituição deles por opções que pressionam menos o orçamento familiar.



De janeiro a agosto, o arroz encareceu, em média, 19,25% no país, e 22,96% na Região Metropolitana de Belo Horizonte, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os reajustes estão totalmente descolados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor amplo (IPCA), indicador da inflação oficial no país, que foi 0,70% na média nacional e 0,58% em BH e entorno no mesmo período. Apenas em agosto, os gastos do consumidor com o óleo de soja subiram 9,48% no Brasil e 11,56% na Grande BH. Os dois produtos são influenciados pelo crescimento das exportações, e a consequente redução da oferta no mercado brasileiro, fator de pressão nos preços no varejo. 



Na quarta-feira (9), o governo federal anunciou a isenção do Imposto de Importação sobre 400 mil toneladas de arroz estrangeiro, até dezembro, para tentar conter a alta dos preços no mercado interno, por meio da concorrência. A valorização do dólar, no entanto, que encarece os produtos importados, pode frustrar a iniciativa. O Ministério da Justiça notificou as redes de supermercados para explicarem a disparada dos preços dos alimentos. Como o EM mostrou, algumas redes de BH começaram a limitar a compra de arroz e óleo de soja por cliente.


 Estado de Minas

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