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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Chimarrão: bebida muito quente pode causar câncer de esôfago e faringe

O chimarrão faz parte do dia a dia de milhares de pessoas, principalmente na região Sul do país. O consumo é tão relevante e presente que motivou, inclusive, um dia especial para essa bebida tradicional, o dia 24 de abril. A combinação entre o mate e a água quente já teve diversos benefícios para a saúde comprovados, mas pode se tornar um fator de risco para câncer de esôfago e faringe quando alguns cuidados não são seguidos no preparo.  

Em 2016, um grande estudo médico analisou a relação de algumas bebidas quentes e a geração de câncer. Segundo o médico oncologista do CEONC, doutor Bruno Kunz Bereza, comprovou-se inexistir participação direta da substância consumida (chá, mate ou outro tipo de planta), mas sim do modo que ocorria a preparação.

“O fator que influencia a geração do câncer é a temperatura de preparo e temperatura no consumo. Tomar o chimarrão a temperaturas altas, acima de 65 graus foi causador de câncer de esôfago e faringe. Um dado importante é que nosso esôfago possui menos terminações nervosas sensitivas que nosso lábio e língua, portanto quanto o líquido quente atinge nosso esôfago ele causa lesão de queimadura, sem sentirmos um desconforto importante”, esclarece o médico Bruno Kunz Bereza, especialista nas áreas de cancerologia cirúrgica com ênfase em cirurgia minimamente invasiva, com foco na área gastrointestinal.

Dessa forma, os cuidados devem ocorrer desde a escolha do mate que será usado no preparo da bebida. Na hora de fazer sua opção, a pessoa deve verificar se o cultivo conta com fertilizantes e agrotóxicos.

“Algumas substâncias usadas para a proteção da planta, quando atingem altas temperaturas podem liberar substâncias nocivas para a saúde. Então a escolha de uma boa erva, sabendo a procedência, com selo de certificação da agricultura, ou mesmo orgânica, é o passo inicial”, destaca o oncologista Bruno Kunz Bereza.

O segundo passo preventivo, considerado o mais importante, é a temperatura de preparo. O consumo acima de 65 graus é fator definitivamente grave para a geração de câncer. Segundo o doutor Bruno, aconselha-se esquentar a água até uma temperatura de 70 graus, no máximo, pois entre o tempo de preparo e consumo, a água já deve ter esfriado para 55 ou 60 graus. São dois cuidados simples, que garantem a permanência do chimarrão no seu dia a dia, sem colocar a saúde em risco.

Caso a pessoa tenha tido o hábito de ingerir chimarrão com a água muito quente por longo período, a indicação é de mudança de cultura o quanto antes.

“Pessoas que tenham associação de fatores de risco para câncer nessas localizações (tabagismo e etilismo, por exemplo), e que não desejem mudar os hábitos de vida, devem ser encorajadas a ter sempre um acompanhamento médico para que, diante do menor sintoma, prosseguir a investigação”, comenta o doutor Bruno.

Números e sintomas
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, o câncer de esôfago (tubo que liga a garganta ao estômago) é o sexto mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres, sem considerar o câncer de pele não melanoma.  Estimativas apontam que, em 2020, devem ser registrados 11.390 novos casos, sendo 8.690 homens e 2.700 mulheres.

“Os sintomas são variados e casos de cânceres iniciais de localização de faringe e esôfago não apresentam sintomas exuberantes. As pessoas que sempre consumiram chimarrão em altas temperaturas devem se atentar a sintomas de perda de peso, dificuldade de deglutição, engasgos, anemia e dor no peito”, conclui o médico do CEONC, doutor Bruno Kunz Bereza.

Ao perceber qualquer sintoma diferente, o paciente deve procurar um médico.

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