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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Associação de Juristas Islâmicos processará Porta dos Fundos por escárnio ao ‘profeta Jesus’

O escárnio à fé cristã protagonizado pelo Porta dos Fundos com anuência da Netflix foi alvo de uma nota de repúdio de uma associação de juristas islâmicos. Segundo a tradição do islamismo, Jesus é tratado na religião como um profeta, e por isso os muçulmanos processarão os humoristas.
A nota, assinada por Girrad Mahmoud Sammour, presidente da Associação Nacional dos Juristas Islâmicos (ANAJI), destaca que a legislação nacional protege e prega o respeito ao Sagrado das diferentes religiões, e que a liberdade de expressão não deve se sobrepor a esse conceito.
“É com imenso pesar que a ANAJI – Associação Nacional dos Juristas Islâmicos e toda a comunidade muçulmana, repudia a atitude do canal PORTA DOS FUNDOS e NETFLIX,  que em vídeo deturpa a imagem do profeta Jesus e sua mãe Maria (que a paz de Deus esteja com eles)”, introduz o comunicado.
“O artigo 5º, inciso VI, da Constituição Brasileira, deixa bem claro a proteção e respeito ao Sagrado. A liberdade de opinião e de expressão, também garantida pela Constituição, tem caráter relativo, podendo ser exercido tão somente dentro dos limites impostos pelo ordenamento jurídico, de maneira que não haja o desrespeito e a fomentação de aversões ou agressões a grupos religiosos, caso contrário implica na tipificação de crime (Lei 9.459, de 1997 e,  artigos 140, 208 do CP)”, referencia a nota.
Sammour destaca que a legislação vigente no Brasil impede “que uma pessoa intolerante possa agredir qualquer outra, motivada apenas pela sua ignorância e falta de compreensão básica de respeitar a religião alheia”.
“O desrespeito a qualquer profeta atinge nós muçulmanos e assim vem descrito no Alcorão sobre o grande profeta Jesus e sua mãe Maria (que a paz de Deus esteja com eles): ‘Maria, Deus vos dá boas notícias de uma palavra da parte de Aquele cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, honrado neste mundo e no outro e um daqueles que estão perto de Deus. Desde o seu berço e na maturidade, e ele será dos justos. Ela disse: ‘Meu Senhor! Como terei um filho quando nenhum homem me tocar?’ Ele disse: ‘Mesmo assim, Deus cria o que Ele quer. Quando Ele decreta uma coisa, Ele diz a ela: ‘Seja!’ e isso é’” (Alcorão 3:45-47).
A ANAJI manifesta “solidariedade aos nossos irmãos cristãos” já que a fé islâmica, segundo a nota, é baseada na crença de que “Deus diz no Alcorão para nos auxiliarmos na virtude e piedade e não no pecado e hostilidade (Alcorão 5:02)”.
“Pedimos a todos os cidadãos de bem que denunciem os vídeos, independente da religião, pois a liberdade deve ser para todos sem exceção,  pois amanhã  os injustiçados seremos nós. Assim estaremos buscando os meios judiciais cabíveis para coibir tamanho desrespeito, nos unindo contra quaisquer atos que não respeite a liberdade religiosa e tolerância de todas as religiões. Paz e respeito é o que desejamos a todos!”, conclui a nota.

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