Laranjeiras do Sul

Perícia confirma ataque a tiros a caravana de Lula no Paraná

Um laudo da Polícia Científica do Paraná confirmou ontem a ocorrência de menos dois tiros contra dois ônibus da caravana que transportava o ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva no Paraná. O atentado aconteceu no dia 27 de março, entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul.

Um fragmento de projétil de chumbo nu, de calibre .32, foi encontrado cravado na lataria de um dos três ônibus da caravana. O coletivo era o segundo da comitiva, onde geralmente ficava o veículo que transportava Lula, mas no momento dos disparos, o ônibus do ex-presidente estava na frente. O laudo da perícia aponta que os tiros foram disparados a uma distância de 18,9 metros do ônibus. De acordo com a Polícia Civil, caso fosse utilizado um calibre maior, a bala teria atravessado a lataria. A outra marca confirmada como sendo causada por um projétil de arma de fogo é em um dos vidros do ônibus e aponta que a bala veio de trás para frente e ricocheteou.

A perícia indica que o atirador poderia estar em piso elevado de aproximadamente 4,36 metros, caso tiver estatura média de 1,70 metro. A altura aponta que a bala poderia ter acertado a cabeça de um dos passageiros. Os tiros, segundo o laudo, foram disparados ligeiramente de cima para baixo, com o atirador posicionado atrás dos veículos. O atirador estava em uma posição elevada, como se estivesse em um prédio ou barranco, segundo a polícia. O perito Inajar Kurowski afirma que é provável que o ônibus estivesse em movimento no momento dos disparos, respaudando a versão das testemunhas que estavam no coletivo. "Teria feito os disparos quando o ônibus já teria passado por ele (atirador). É preciso fazer uma relação a velocidade de um objeto e a velocidade do outro.

 A velocidade do ônibus é muito pequena (para fazer essa projeção). Não há como fazer essa análise. Os tiros foram oblíquos, ou seja, foram por trás", pontua. Impacto - A suspeita de um disparo contra o terceiro ônibus não foi confirmada. A perícia não identificou o impacto. Porém, os peritos não descartam que estilhaços tenham sido responsáveis pela avaria em um dos espelhos retrovisores do coletivo. "Apenas falta o espelho, não há marca de projétil. Poderia ser o ricochete de um tiro? Poderia. Possível é, mas não podemos afirmar. Não há vestígios ali”, afirmou. O delegado Helder Lauria deve juntar o laudo ao inquérito, que ainda tem 90 dias para ser concluído.

 O Ministério Público (MP) incumbiu o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarapuava (Centro-Sul) de realizar a investigação paralela. Além disso, a Procuradoria-Geral de Justiça entendeu que existe a possibilidade da ocorrência de outros crimes, inclusive nas redes sociais e grupos de Whatsapp. O laudo apresentado nesta quinta-feira também deve ser utilizado para indiciar suspeitos de outros ataques à caravana. Imagens de câmeras de segurança da praça de pedágio que fica entre as duas cidades, na BR-277, foram gravadas e recolhidas pela polícia.

O atentado aconteceu na Rodovia PR-473, na localidade de Espigão Alto do Iguaçu (região Centro-Sul). A maior parte do trecho é coberto por mato alto e árvores. Cerca de 70 km separam Quedas do Iguaçu de Laranjeiras do Sul. As únicas testemunhas ouvidas foram passageiros dos três ônibus, incluindo do primeiro da fila na caravana, que estava com Lula. A caravana de Lula durou dez dias pela Região Sul. Desde o início, no dia 19 de março, em Bagé, no Rio Grande do Sul, a comitiva sofreu ataques de manifestantes que aguardavam a passagem dos ônibus nas rodovias. Houve bloqueios em estradas, atos públicos com arremesso de ovos e pedras e agressões mútuas de manifestantes pró e anti-Lula.
Cantu em Foco

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