Rio Bonito do Iguaçu

Dia 17 de Abril é Feriado Municipal em Rio Bonito do Iguaçu pela conquista dos três Assentamentos



Hoje, terça-feira, 17, é feriado municipal em Rio Bonito do Iguaçu em comemoração aos 22 anos de Conquista da Fazenda Araupel, fato que originou posteriormente os Assentamentos Ireno Alves dos Santos, Marcos Freire e 10 de Maio.


O feriado foi estabelecido pela Lei Municipal Nº 581/2006 de 25 de Abril de 2006, em alteração a Lei Municipal Nº 175/1997.


Parabéns a todos os cidadãos rio bonitenses residentes dos três assentamentos – os maiores da América Latina - que com sua luta e empenho diário, trazem inúmeras conquistas agregando valores, grande produção agrícola e pujança econômica ao nosso município.


Lembrando que em breve, de acordo com recente notícia trazida pela Superintendência do Incra no Paraná, Rio Bonito poderá ganhar mais assentamento – o quarto de seu território - nos espaços onde estão localizados atualmente os acampamentos Herdeiros da Terra, Guajuvira, Eucaliptos entre outros.



Parabéns à toda a população que vive nos Assentamentos!


“HISTÓRIA DOS ASSENTAMENTOS IRENO ALVES DOS SANTOS E MARCOS FREIRE


O Assentamento IRENO ALVES DOS SANTOS foi criado no ano de 1996, com 900 famílias assentadas e inclui as comunidades de Primeira Conquista (Sede do Assentamento), Arapongas, Nova Santa Rosa, São Francisco, Juriti, Alta Floresta (que no início recebeu o nome de Centrão, depois foi mudado pela comunidade para Alta Floresta), Água Mineral (Irmã Dulce), Boa Esperança, Nossa Senhora Aparecida e Campos Verdes. 


No ano de 1997 foi conquistado o ASSENTAMENTO MARCOS FREIRE, por 601 famílias excedentes do Assentamento Ireno Alves dos Santos e inclui as comunidades Paraíso, Campos Verdes, Quatro Encruzo, Alto Alegre, Centro Novo, Camargo Filho, Santa Luzia, Aliança, Apra, Cristo Rei, Nova Aliança, Água Morna e Alto Água Morna.



“Na madrugada de 17 de abril de 1996, mais de 3.000 famílias do MST ocuparam o latifúndio da Fazenda Giacomet-Marodim, em Rio Bonito do Iguaçu. Era o início de uma luta de dois anos de acampamento até se tornarem assentados. A desapropriação dos 26 mil hectares da fazenda aconteceu em 1998, quando 1.501 famílias foram assentadas. Os dois assentamentos são divididos em 27 comunidades, com centros comunitários e espaço de lazer. Antes das famílias Sem Terra ocuparam a fazenda Giacomet o município de Rio Bonito do Iguaçu tinha pouco mais de cinco mil habitantes, hoje esse número se multiplicou se transformando em um dos maiores assentamentos do Brasil... E essa história segue...E  Rio Bonito do Iguaçu cresce!”



No início de 1996 havia no Brasil aproximadamente 22 mil famílias acampadas. Durante o ano foram realizadas mais 176 ocupações, que mobilizaram 45.218 famílias em 21 estados. Foi um recorde na história do MST. A média era de 50 ocupações anuais com mais de 16 mil famílias. Nos dados acima estão incluídas as famílias que se acamparam em Rio Bonito do Iguaçu. 



O início da vinda das famílias para o acampamento foi dos dias 25 de março a 16 de abril de 1996, vinha gente de diversas regiões e todos os que chegavam era cadastrados e aceitos. Segundo levantamento realizado pela coordenadoria geral da época, as famílias acampadas vieram de sessenta e dois municípios diferentes, tinham dezesseis tipos de religiões e culturas das mais variadas possíveis. Também vieram de dois acampamentos pequenos já formados, um em Saudade do Iguaçu e outro em Laranjeiras do Sul, que se reuniram e formaram um grande acampamento.


Aproximadamente 3048 famílias que faziam parte do MST se acamparam em 1996 na BR 158, entre Rio Bonito do Iguaçu e Laranjeiras do Sul. Esse acampamento foi considerado o maior da América Latina. Tinham objetivo de conseguir a posse da terra do latifúndio da Fazenda Giacomet Marodim, formando os assentamentos Marcos Freire e Ireno Alves dos Santos. Começou a partir daí uma nova etapa na história deste pequeno Município, que muda toda sua estrutura para atender quatro vezes mais pessoas do que o número de habitantes que possuía. 


O pensamento inicial em formar um grande acampamento de Trabalhadores Rurais Sem Terra no Município de Rio Bonito do Iguaçu no ano de 1996 iniciou com o cadastramento das famílias que demonstravam a intenção de trabalhar na agricultura, conquistando as terras para sobreviver. 


Á primeira vista o acampamento parecia ser um ajuntamento desorganizado de barracos, mas possuía determinadas disposições conforme a topografia do terreno e as condições de desenvolvimento da resistência ao desejo e das perspectivas de enfrentamento com jagunços. Nesses espaços faziam plantações pequenas (hortas), farmácia improvisada, escola, local de assembléias, etc.


O acampamento era um espaço e tempo de transição na luta pela terra, com realidades em transformação, espécie de materialização da organização dos sem terra e traziam em si os principais elementos organizacionais do movimento. Formavam espaços de lutas e resistências e as ações de ocupar e acampar interagiam nos processo de espacialização e territorialização [...]”;



Trecho do artigo sobre a criação e estruturação dos assentamentos em Rio Bonito do Iguaçu feito pela professora Inês Galera. A postagem completa e original pode ser acessada pelo link:

http://inesgalera.blogspot.com.br/2010/11/assentamentos-ireno-alves-dos-santos-e.html







Fotos: Sebastião Salgado em 1996 / Site Com Café e busca no Google.  

Assessoria de Imprensa
Cantu em Foco

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