quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Sob vaias e poucos aplausos, Temer assiste desfile de 7 de setembro

Ao lado da mulher Marcela Temer e do filho Michelzinho, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), participou do desfile da Independência em Brasília, nesta quinta-feira (7). 
Ao contrário da primeira-dama, que costuma participar de eventos, está foi a primeira vez que o filho do casal marcou presença em um ato público desde que o pai assumiu a Presidência, em março do ano passado.
Pelo segundo ano consecutivo, Temer chegou ao desfile em um carro fechado e sem a faixa presidencial, ao contrário de outros ex-presidentes.
Tradicionalmente, os chefes do Executivo costumam desfilar em um Rolls Royce conversível da Presidência, de 1953, nas comemorações da Independência. Em 2016, em sua primeira semana como presidente efetivo, Temer foi vaiado e ouviu palavras de ordem como "Fora, Temer" e "golpista", entre alguns aplausos.
O evento acontece no mesmo dia em que executivos da JBS devem prestar depoimento em Brasília para esclarecer uma gravação que colocou em risco a delação premiada que serviu de base para a denúncia contra Temer, posteriormente barrada pela Câmara. Uma segunda denúncia ainda é aguardada no meio político.
O desfile começou pontualmente às 9h e teve como tema "Viva sua Independência" para "exaltar a liberdade e as conquistas do povo brasileiro", informou o governo.
O evento contou com a presença de ministros do governo: Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Eliseu Padilha (Casa Civil), Raul Jungmann (Defesa), Torquato Jardim (Justiça) e Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional).
Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), além do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), e o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Filho, também participaram do desfile.
No início do desfile, a Esquadrilha da Fumaça sobrevoou a Esplanada e escreveu "Pátria Amada" no céu.
Segundo a Presidência, cerca de 25 mil a 30 mil pessoas eram esperadas na Esplanada. As arquibancadas, porém, não lotaram. A região central da capital também ficou relativamente vazia, sem incidentes até a última atualização desta reportagem.
O desfile cívico-militar começou quando Temer passou em revista às tropas em frente ao Palácio do Planalto e autorizou o início do evento ao Comando Militar do Planalto.
Sem cartazes e placasCom a justificativa de tentar garantir a visibilidade na Esplanada dos Ministérios para quem ia acompanhar o desfile da Independência, o governo barrou a entrada de pessoas com bandeiras de grande porte e com mastros, placas e cartazes nas arquibancadas.
Em contrapartida, 15 mil bandeirinhas seriam distribuídas para o público no local. Essa não é a primeira vez que a proibição acontece no desfile. Ano passado, no primeiro 7 de Setembro da gestão do presidente Temer, o mesmo procedimento foi adotado pela segurança.
Redução de custosDiante da crise econômica e a defesa de reformas para conter os gastos públicos, o custo do desfile deste ano em Brasília foi o menor desde 2010, primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A empresa vencedora da licitação recebeu R$ 787,5 mil para montar toda a estrutura, como arquibancadas, segurança e alimentação para o espaço VIP do governo. No ano passado, o custo foi de R$ 1,1 milhão.

Gastos com o desfile:
2010 - R$ 1 milhão
2011 - R$ 900 mil
2012 - R$ 800 mil
2013 - R$ 830 mil
2014 - R$ 1,2 milhão
2015 - R$ 830 mil
2016 - R$ 1,1 milhão
2017 - R$ 787,5 mil
Fonte: Palácio do Planalto

A reportagem questionou a Presidência sobre a composição do coffee break a ser servido para autoridades e o reforço na segurança no local, mas a assessoria limitou-se a dizer que as especificações constam no edital lançado. O documento foi pedido, no entanto, a solicitação não foi atendida pelo Planalto.
A reportagem também perguntou quantas autoridades foram convidadas, mas a Presidência disse que, mesmo a dois dias do evento, "a lista ainda não estava fechada". Não há convidado de honra nesta edição.
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