sábado, 9 de setembro de 2017

Policial mata homem após briga em grupo no WhatsApp

Analista financeiro discutiu com PM em grupo formado por moradores de condomínio; Justiça pediu prisão de suspeito
O analista financeiro baiano Adilson Santana Silva, 36 anos, foi morto a tiros na tarde desta quinta-feira (7) em Samambaia, no Distrito Federal, após discutir com um vizinho em um grupo de WhatsApp formado por moradores do condomínio. Ele foi baleado no tórax e morreu no apartamento onde morava.
O policial militar reformado José Arimatéia Costa, 58 anos, apontado como autor dos disparos, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, no final da tarde desta sexta (8). Mais cedo, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJ-DFT) havia indeferido o pedido feito pela Polícia Civil, por não considerar urgente. Após ser aceito o novo pedido de prisão, o policial é considerado foragido.
A briga começou depois que o PM publicou uma foto no grupo acusando o vizinho de ter cuspido em sua janela. "Ô sem noção, que mora no 1803-A quando escovar seus dentes, vê se não cospe a meleca na casa dos outros, eu moro aqui no 1703-A e vir essa sujeira que cospiram lá de cima [sic]", escreveu.
Foto: Reprodução
Adilson Silva respondeu negando ser o autor do cuspe e chamou o vizinho para resolver a situação pessoalmente. "Meu amigo, tu tá ficando maluco, falando merda. Primeiro, olhe essa merda para depois falar. Me respeite, que educação eu tenho. Não vou escovar porra de dente em varanda. Olha sua porra direito, não fale merda que você não sabe", escreveu.
Em seguida, ele enviou um áudio:
"Meu irmão, você tá a fim de resolver sua porra, você venha pra cá e fale, tá bom? Não venha pra cá botar porra de grupo. Você não sabe o que tá falando, não. [...] Cheira essa desgraça aí e veja se é uma pasta de dente, rapaz! [...] Suba aqui pra gente conversar", diz na gravação.
Minutos depois, vizinhos ouviram barulho de tiros. O policial tinha ido até o apartamento de Adilson, onde a briga prosseguiu. Segundo uma vizinha, eles entraram em luta corporal e, em seguida, o PM aposentado teria feito os disparos. A mulher e o filho de três meses do casal estavam presentes na hora do crime.
No grupo, uma vizinha e testamunha comentou o crime. "Já acionei o 190 aqui para chamar a polícia. Mas foi um negócio, assim, violento, e eu vi na hora que ele disparou a arma", escreveu ela.
Um vídeo, divulgado pelo site Jornal de Brasília, mostra o que seria o momento da fuga de José Arimatéia do condomínio. Ele corre pelo estacionamento, entra em seu veículo e deixa o local. Veja vídeo abaixo.
Investigação
O caso está sendo investigado pelo delegado Gutemberg Santos Moraes, titular da 26ª Delegacia (Samambaia). "O senhor José foi até a residência do Adilson, a vítima, e passaram a discutir. Logo em seguida, entraram em luta corporal, momento no qual o seu José de Arimatéia sacou uma arma de fogo e efetuou disparos contra a vítima", disse o investigador ao site G1 DF, pela manhã.
Ainda conforme o G1 DF, dois moradores do prédio e a mulher da vítima foram ouvidos na noite do crime. José de Arimatéia deve responder por homicídio qualificado por motivo fútil.
Parentes em Cajazeiras
Em Salvador, familiares e amigos de Adilson estão transtornados e ainda tentam entender o que aconteceu. A mãe, que mora sozinha e está sendo amparada por amigos, não teve condições de falar. O único irmão de Adilson, Rogério Silva, está em Brasília resolvendo os trâmites para o traslado do corpo. 
Antes de transferir-se para Brasília para trabalhar em uma empresa de engenharia, ainda em 2008, Adilson morava com a família no bairro de Cajazeiras. . Foi em Brasília que se formou em administração e galgou empregos cada vez melhores. Amiga de Adilson há mais de 15 anos, Jocarla do Vale foi tranferida para o Distrito Federal praticamente junto com amigo. "Eu voltei e ele permaneceu em Brasília. Conheceu a esposa nos útimos anos, com quem teve um filho. O bebê tem três meses de vida" conta.
Adilson é descrito pelos amigos como uma pessoa extremamente sociável, cheia de amizades e um pai de família obstinado. O imóvel onde ocorreu o crime foi adquirido recentemente, uma cobertura. O apartamento foi recém entregue. Tinha acabado de ser reformado para receber o bebê. "Ele estava muito feliz", diz a amiga. Adilson morava no 18º andar. A janela atingida ficava no andar de baixo. 
Independetemente da motivação fútil do assassinato, moradores especulam que, em vez de cuspe, o que sujou a janela do policial não passava de cocô de pombo. "Foi um mal entendido. Quem vai poder falar melhor sobre  o que aconteceu é a mulher dele, que estava na hora. Estavam os três em casa. Era feriado, o bebê é muito pequeno, e eles optaram por ficar em casa", contou a amiga. O corpo de Adilson deve chegar em Salvador na manhã deste sábado. Ainda não havia informações sobre o local e o horário em que será realizado o sepultamento, que deve ocorrer neste domingo.
Fonte Correio 

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