segunda-feira, 5 de junho de 2017

Taxa de homicídio no país aumenta mais de 10% entre 2005 e 2015

O Brasil teve em 2015 uma taxa de homicídios de 28,9 a cada 100 mil habitantes, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No ano, foram 59.080 homicídios. O número representa um aumento de 10,6% desde 2005.

Entre 2010 e 2015, o aumento na taxa de homicídios foi menor, de 4%. Já na passagem de 2014 para 2015, houve queda de 3,1%.

O aumento de 10% de 2005 a 2015 é a variação que engloba o país como um todo. Mas, entre os estados, a diferença é bastante significativa. Em dez anos, apenas oito estados mais o DF tiveram queda na taxa de homicídios – Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo.

Enquanto isso, em outros 6 estados a violência mais que dobrou, sendo todos das regiões Norte e Nordeste. Os estados que tiveram aumento de mais de 100% na taxa de homicídios foram Amazonas, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins.

A piora mais intensa foi registrada no Rio Grande do Norte, por exemplo, onde o aumento na taxa de homicídios em 10 anos foi de 232% - ou seja, mais que triplicou. Já a maior baixa na taxa aconteceu em São Paulo, onde houve queda de 44%.

Desigualdade entre municípios

Além da desigualdade entre os estados, o estudo também revela a disparidade dos índices de violência entre os municípios brasileiros. Segundo a pesquisa, em 2015, apenas 111 municípios (que corresponde a 2% do total de municípios, ou 19,2% da população brasileira) responderam por metade dos homicídios no Brasil, ao passo que 10% dos municípios (557) concentraram 76,5% do total de mortes no país.

A cidade de Altamira (PA) lidera o ranking das cidades consideradas mais violentas no país. A lista, com 30 cidades com mais de 100 mil habitantes, tem 18 delas na região Nordeste. A Bahia se destaca com o estado com mais cidades entre as mais violentas, com nove na lista. Outras quatro cidades são do Norte, quatro do Centro-Oeste, duas do Sul e uma do Sudeste.

Quadro em 2017

O relatório do Ipea traz dados até 2015, mas o órgão traz também apontamentos sobre 2017. Segundo o Instituto, “apenas em três semanas são assassinadas no Brasil mais pessoas do que o total de mortos em todos os ataques terroristas no mundo nos cinco primeiros meses de 2017, que envolveram 498 atentados, resultando em 3.314 vítimas fatais”.

O estudo destaca as mortes em rebeliões em presídios de Manaus, Rio Grande do Norte e outros estados, além de episódios de violência nos estados no Espírito Santo, no Rio de Janeiro, em Fortaleza e em Salvador. “Não apenas ônibus foram incendiados, mas verdadeiras guerras foram travadas no espaço público, com inúmeros homicídios perpetrados contra civis e policiais.”

O Ipea aponta ainda que os números revelam uma “naturalização” do fenômeno do homicídio no Brasil, além de “um descompromisso por parte de autoridades nos níveis federal, estadual e municipal com a complexa agenda da segurança pública”.

Jovens e negros estão mais sujeitos à violência

A taxa de homicídio de jovens no Brasil teve um crescimento de 17,2% entre 2005 e 2015, número maior que o crescimento médio no país no mesmo período, de 10,6%.

A tendência de aumento da violência contra jovens de 18 a 29 anos é antiga no Brasil: na década de 1980, a taxa de homicídios nessa faixa etária aumentou 89,9%. Nos anos 1990, o aumento foi de 20,3%. Já de 2000 a 2010, a taxa teve um crescimento bem menor, de 2,5%. A desaceleração do aumento da violência contra jovens, porém, não se manteve.

O Atlas da Violência destaca ainda o quanto os negros estão mais sujeitos à violência no Brasil. De 2005 a 2015, enquanto a taxa de homicídios por 100 mil habitantes negros subiu 18,2%, a mesma taxa teve queda de 12,2% entre habitantes não-negros.

A estimativa é que os cidadãos negros tenham um risco 23,5% maior de sofrer assassinato em relação a outros grupos populacionais. De cada 100 pessoas assassinadas, 71 são negras no Brasil.

Fonte:G1
Imagem:Ilustrativa
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