sexta-feira, 9 de junho de 2017

Mídias sociais se tornam arma de luta dos povos indígenas

Adriano Paulo – Estudante de Jornalismo
Os povos indígenas têm usado a variedade de recursos midiáticos como um mecanismo de defesa da sua cultura. Esses povos, como os Tapajós, por exemplo, adotaram a prática de meios de comunicação, como o cinema e vídeos, redes sociais, entre outros aparatos mais comuns às sociedades urbanizadas, para mostrar seus ideais. Mas até que ponto a propagação midiática pode beneficiar a proposta cultural dos povos indígenas?
As mídias tornaram-se um elemento de sua cultura, como uma ferramenta para lutar pela preservação dos seus costumes, dando voz a esses grupos sociais que têm grande relevância para o aspecto histórico e cultural brasileiro. Em 26 de fevereiro de 2016 líderes indígenas fizeram uma publicação no Facebook sobre a sua ida a Brasília, incluindo uma foto em que seguravam um cartaz com os dizeres “Comissão indígena Pataxó do Prado estão em Brasília denunciando as perseguições políticas e as agressões que vem sofrendo ultimamente”.
O tema foi tratado em artigo “As mídias em comunidades indígenas: habitus como uma matriz cultural?”, de autoria da pesquisadora Helânia Thomazine Porto e publicado na revista científica Intersaberes. “Sem deixarmos de considerar as limitações presentes em todas as formas de midiatização, o Facebook tem possibilitado aos Pataxós da Bahia a emissão de vozes tradicionalmente não ecoadas em outros meios de comunicação. Assim, por meio do ciberespaço, esse povo tem exercido o direito de falar por si mesmo, tomando para si o lugar da enunciação”, diz a professora da Universidade Estadual da Bahia.
“Se antes a identidade cultural dos Pataxós era construída e articulada nas lutas pela terra e nas estratégias de afirmação étnica, através da (re)memorização de suas matrizes culturais, agora essas estratégias se (re)configuram, abalizadas nas diversidades de vínculos sociais estabelecidos por outros processos sociocomunicacionais, como pela linguagem do cinema”, aponta Helânia em seu artigo. “Nesse processo midiático, a visibilidade dos sujeitos sociais se libertou das propriedades espaciais e temporais, já não necessita do compartilhamento de um lugar comum, pois o campo de visão foi estendido no espaço e no tempo, já que essa produção poderá ser vista em um futuro distante”, completa.
As mídias são muito mais que uma forma de entretenimento. Segundo a pesquisadora, podem articular e desarticular projetos que privilegiam ou prejudicam uma parte da sociedade, é forma eficaz para essas comunidades não serem extintas. Esses povos precisam de ter contato com as mídias para estar informado sobre os projetos de leis que os envolvem. Para lutar por seus direitos, podendo opinar mesmo com pouco apoio. Eles existem, eles podem e já agregaram muito para a nossa História.
Fonte:Uninter
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