quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Homem é impedido de almoçar em restaurante em Xanxerê

Sabe aquela cena que as pessoas imaginam ver somente em grandes centros? Situação já retratada inclusive em novelas e cinema? Ela também acontece por aqui, todos os dias, numa cidade pequena. Desta vez, três colegas de trabalho vivenciaram uma forte, e revoltante, cena de discriminação em um restaurante na área central de Xanxerê.

Um senhor, aparentando pouco mais de 30 anos, chamou a atenção dos colegas que decidiram custear o almoço. Foi a partir daí que eles tiveram as surpresas do dia: em um restaurante, o homem disse que não entraria, pois corria o risco de ser agredido, como já havia sido. No outro, o proprietário não autorizou que o prato de comida fosse servido na mesa do estabelecimento, mas sim do lado de fora, no banco de uma praça.

Os jovens que ajudaram a vítima do preconceito preferem não se identificar, muito menos citar os restaurantes. A primeira manifestação pública da experiência que tiveram foi nas mídias sociais, repudiando a atitude discriminatória que presenciaram. Em poucos minutos a postagem recebeu curtidas e comentários.

– A gente encontrou ele quando saímos do restaurante. Ele não estava pedindo dinheiro, nada. Nós que chamamos ele e perguntamos se estava com fome, então eu disse: vamos entrar aqui (no restaurante) que eu pago um almoço para você. Ele disse: Então você pede uma marmita para mim, porque eu tenho medo, eu não vou entrar ali, porque senão eles me batem. Eu estranhei e então sugeri que atravessássemos a rua e pedíssemos em outro estabelecimento. Eu atravessei a rua com ele, segurando no braço, porque descobrimos que ele não tem a visão em um dos olhos – relata a xanxerense.

Ao chegar no segundo restaurante, os colegas pediram que o senhor senta-se em uma das mesas, até que a refeição fosse servida. Para espanto deles, o proprietário se recusou a servir a comida dentro do estabelecimento.

– Eu cheguei e sentei ele em uma das mesas perto da porta e, fui até o balcão pedir que servissem ele. O garçom disse que sim, mas de repente o dono do estabelecimento chegou do lado e disse: Olha, você faz uma marmita e coloca ele comer lá fora. Eu fiquei indignada e questionei o motivo. Ele justificou que seria porque o senhor “fede” e os outros clientes não iriam ficar no local, com ele lá dentro. Mas sinceramente eu havia trazido ele pelo braço e ele não estava cheirando, as roupas dele estavam limpas – conta ela, indignada.

Após a explícita cena de discriminação, os colegas cogitaram a hipótese de que o empresário mudaria de opinião e serviria o almoço no local. Frustrados, eles viram o senhor já sentado no banco da praça, com os talheres e a marmita nas mãos.

– Depois que ele almoçou voltamos a falar com ele, quando nos disse que teve tuberculose, por isso perdeu parte da visão. E, ainda, revelou que é soropositivo. Mas, isso ele contou para nós, ninguém sabe. O que nos revoltou é que ele foi julgado pela aparência, por ser simples, estar vestindo uma calça de moletom, uma camisa e um chinelo. Isso não justifica, em nada, o tratamento que deram a ele. Ficamos sabendo que o dono do restaurante não aceitou de volta os talheres que ele usou para comer – relata um dos colegas.

O homem relatou aos colegas que mora com um irmão, no Bairro Santos Dias. Disse ainda que a famílias passa por dificuldades, mas não soube informar se é assistido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. .


AU Online
Recomendamos para você:
 
VOLTAR AO INICIO
Copyright © 2013-2017 Cantu em Foco | A informação ao seu alcance. Criado por: Cantu em Foco